Após completar oito anos de debut, o Stray Kids está de volta com o novo álbum “THIS & THAT”, lançado nesta sexta-feira (7) e responsável por marcar uma nova era do octeto. O projeto foi anunciado no dia 21 de junho por meio de um teaser, seguido pelo lançamento do single “RUN IT”, no dia 24 do mesmo mês, preparando o público para a chegada do álbum e para a nova turnê mundial.
“THIS & THAT” é o décimo mini-álbum do Stray Kids e conta com oito faixas, incluindo a faixa-título de mesmo nome. O projeto carrega mais uma vez a assinatura do 3RACHA, trio formado por Bang Chan, Changbin e Han, que possui um papel fundamental na produção musical e na construção da identidade sonora do grupo.
Desta vez, o Stray Kids aposta em uma sonoridade um pouco mais relaxada e acessível, reduzindo a presença de alguns elementos mais intensos que se tornaram característicos de sua discografia para explorar novas possibilidades musicais, sem abandonar a essência que consolidou o grupo ao longo dos últimos oito anos.
Preparamos uma análise musical das faixas de “THIS & THAT”, projeto que explora justamente a ideia de ser bom nisso e naquilo, independentemente da escolha ou do caminho seguido.

1. RUN IT
Primeiro single responsável por abrir a nova era do Stray Kids, “RUN IT” traz uma mensagem poderosa sobre transformar adversidades em combustível para vencer e continuar seguindo em frente. A faixa começa com trompetes que criam uma atmosfera quase épica, como uma preparação para uma batalha, reforçando a sensação de determinação presente durante toda a música. O videoclipe também utiliza elementos simbólicos, como o yin-yang, para trabalhar ideias de contraste e equilíbrio.
O Stray Kids mistura inglês e coreano ao longo da canção e relembra o início de sua trajetória ao mencionar uma época em que começaram em um pequeno quarto, com o som vazando pelos fones de ouvido e carregando apenas um sonho. A referência cria um contraste com o momento atual do grupo, que enfrentou diferentes obstáculos até alcançar reconhecimento mundial e se tornar um dos maiores nomes do K-pop da atualidade.
2. THIS & THAT
Misturando características já conhecidas das produções do 3RACHA com uma sonoridade eletrizante e levemente futurista, “THIS & THAT” deixa explícito o conceito central do álbum: escolher isso ou aquilo e, ainda assim, entregar o melhor resultado, independentemente do caminho escolhido.
A faixa também representa a confiança adquirida pelo Stray Kids ao longo de oito anos de carreira. Neste momento, o grupo demonstra não precisar mais da aprovação de outras pessoas para decidir até onde deseja chegar ou quais caminhos musicais pretende explorar.
O verso “O emblema do Stray Kids gravado no lado esquerdo do meu peito” reforça ainda mais a união do octeto e o sentimento de pertencimento construído entre os integrantes, como se carregassem a identidade e o legado do grupo para onde quer que fossem.
3. After You
A terceira faixa do álbum, “After You”, quebra a atmosfera mais intensa das músicas anteriores e mergulha em um R&B suave e melancólico, trazendo o romance como temática e abrindo espaço para maior destaque aos vocais dos integrantes.
Liricamente, “After You” fala sobre o fim de um relacionamento e sobre a saudade que permanece mesmo quando duas pessoas já não estão juntas. O eu lírico precisa aprender a priorizar o bem-estar da pessoa que ama, mesmo que isso também signifique aceitar uma decisão dolorosa e conviver com as marcas deixadas pela relação.
Apesar da atmosfera mais calma, a faixa ganha um refrão envolvente e dançante, criando um interessante contraste com a melancolia presente na letra.
4. FARMING
E se você pensava que uma referência ao famoso “farmar aura” nunca apareceria na discografia do Stray Kids, pensou errado — e a inspiração foi confirmada pelo próprio Bang Chan.
Em “FARMING”, o grupo mergulha em referências à estética da internet dos anos 2000, trazendo elementos visuais que remetem às antigas interfaces do Microsoft Windows, salas de bate-papo como o MSN e jogos clássicos como Campo Minado.
Liricamente, a faixa brinca com o significado de “farming” ao falar sobre trabalhar dia e noite até finalmente colher os resultados, assim como um agricultor cultiva algo antes de aproveitar sua colheita. Ao mesmo tempo, o Stray Kids reforça que sua identidade já está marcada nos ouvidos do público, utilizando a música como uma declaração sobre esforço, persistência e confiança no próprio trabalho.

5. I Do
Em “I Do”, mais uma vez o Stray Kids desacelera a sequência de faixas agitadas e aposta em um pop-rock que facilmente poderia ganhar ainda mais força durante os encores dos shows.
A música funciona como uma mensagem direcionada aos STAYs, fandom do grupo. Os integrantes reconhecem as dores, inseguranças e momentos difíceis que seus fãs podem enfrentar, mas reforçam que eles não precisam passar por tudo sozinhos, pois estarão ao seu lado para dividir parte desse peso.
“I Do” também destaca os vocais dos integrantes em meio aos riffs de guitarra, tornando a canção ainda mais acolhedora e emocional.
6. Way Out
Retomando a temática de términos e superação, “Way Out” aposta no EDM para retratar o momento em que o eu lírico finalmente reconhece que determinado relacionamento não possui mais chances de ser recuperado.
Ele percebe que a pessoa amada já não demonstra o mesmo carinho de antes e, em vez de continuar preso a uma relação desgastada, decide se libertar dessas amarras emocionais e seguir em frente. A letra reforça essa decisão nos versos:
“As últimas palavras que ouvirá de mim: ‘Suma, adeus’
Sayonara, adiós, farewell, au revoir.”
Ao utilizar diferentes formas de dizer “adeus”, a música transforma o término em uma decisão definitiva: não existe mais intenção de retornar ao relacionamento, apenas a vontade de construir um novo caminho de maneira independente.
7. Back Then
Encaminhando o álbum para sua reta final, “Back Then” apresenta uma atmosfera mais romântica e nostálgica, remetendo às lembranças de um amor vivido durante o verão. Han escreveu a faixa inspirado pelo k-drama “Our Beloved Summer”, lançado em 2021.
A música aborda a empolgação e a inocência do primeiro amor, explorando como determinados sentimentos podem transportar alguém de volta a uma época em que tudo parecia mais simples e puro. Dessa forma, as lembranças compartilhadas pelo casal permanecem guardadas mesmo com a passagem do tempo.
8. THIS & THAT (Festival Version)
Encerrando o álbum, “THIS & THAT (Festival Version)” apresenta uma nova versão da faixa-título pensada especialmente para potencializar a energia da música em grandes palcos. Se a versão original já carrega uma atmosfera eletrizante, aqui o Stray Kids intensifica os elementos instrumentais e transforma a canção em uma experiência ainda mais explosiva.
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Conclusão: Stray Kids prova estar disposto a experimentar novas sonoridades e não tem medo de ousar
“THIS & THAT” cumpre justamente a proposta apresentada pelos integrantes do Stray Kids: diante de diferentes possibilidades, o grupo escolhe experimentar novos conceitos e mostrar que sua identidade pode permanecer reconhecível independentemente do gênero ou da sonoridade escolhida.
Em uma primeira audição, o álbum pode causar certo contraste em relação a alguns trabalhos anteriores, principalmente pela redução da sonoridade mais intensa e “barulhenta” que se tornou uma das marcas registradas do Stray Kids. No entanto, essa mudança também evidencia a liberdade conquistada pelo octeto ao longo de oito anos de carreira.

O Stray Kids já não precisa provar que consegue fazer apenas um determinado tipo de música. Pelo contrário, “THIS & THAT” utiliza essa posição consolidada para experimentar, passear por diferentes gêneros e alcançar públicos distintos sem abandonar completamente aquilo que tornou o grupo reconhecível.
Depois de oito anos, talvez essa seja justamente uma das mensagens mais interessantes do álbum: seja “this” ou seja “that”, o Stray Kids continua encontrando uma maneira de deixar sua própria marca. Afinal, como o grupo relembra em “RUN IT”, aquele sonho que começou em um pequeno quarto conseguiu sair de Seul e alcançar o mundo.
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