A Associação Coreana de Futebol (KFA) anunciou uma mudança histórica na forma de escolher o treinador da seleção masculina principal. Pela primeira vez, a entidade abriu um processo seletivo público para contratar um técnico interino, que ficará responsável pela equipe durante as janelas internacionais da FIFA entre setembro e novembro deste ano.
A iniciativa representa uma tentativa da federação de tornar o processo mais transparente após meses de questionamentos sobre a gestão da seleção nacional. A decisão também ocorre em um momento de reconstrução do futebol sul-coreano, que busca recuperar a confiança dos torcedores depois da eliminação precoce na Copa do Mundo de 2026 e da saída do então treinador Hong Myung-bo.
Processo de inscrição terá equipes técnicas completas
O edital divulgado pela KFA estabelece que as inscrições permanecerão abertas até as 17h do dia 9 de agosto. Diferentemente de processos tradicionais, os interessados não poderão se candidatar individualmente. Cada inscrição deverá ser apresentada como uma comissão técnica completa, formada pelo treinador principal e uma equipe de apoio composta por cinco a sete profissionais.
Entre os integrantes poderão estar auxiliares técnicos, treinador de goleiros, preparador físico e analista de desempenho. A federação informou que a composição apresentada no ato da inscrição será definitiva, não sendo permitidas alterações após o encerramento do prazo.
Os critérios de elegibilidade também variam conforme a nacionalidade dos candidatos. Técnicos sul-coreanos deverão possuir o Diploma Profissional da Confederação Asiática de Futebol (AFC), ou certificação equivalente, além da licença governamental de instrutor esportivo profissional de nível 2, documento exigido para atuar no treinamento de atletas de alto rendimento no país.
Já os treinadores estrangeiros precisarão apresentar a licença máxima de treinador concedida por uma confederação continental reconhecida pela FIFA, garantindo experiência compatível com o comando de uma seleção nacional.
A exigência de qualificação também se estende aos membros da comissão técnica. Profissionais sul-coreanos deverão possuir diploma AFC nível A e certificação profissional de nível 2, enquanto estrangeiros precisarão comprovar qualificações equivalentes e experiência mínima de cinco anos na área.
Avaliação será conduzida por comissão especializada
Após o encerramento das inscrições, a KFA iniciará a análise documental dos candidatos. Os profissionais que atenderem aos requisitos serão convocados para entrevistas presenciais antes da definição dos finalistas.
A avaliação ficará sob responsabilidade de um painel formado por integrantes do Comitê de Fortalecimento da Seleção Nacional da KFA e especialistas convidados. O grupo analisará aspectos como experiência profissional, capacidade de liderança, planejamento esportivo e perfil para conduzir a seleção durante o período interino.
A expectativa da entidade é concluir todo o processo até o fim de agosto, permitindo que a nova comissão técnica assuma a equipe antes da próxima Data FIFA.
Embora a federação já tenha utilizado concursos públicos para selecionar treinadores das categorias de base, como a seleção sub-20 e a equipe olímpica, esta será a primeira vez que o método será aplicado às seleções principais, tanto no futebol masculino quanto no feminino.
Mudança ocorre após forte pressão sobre a federação
A adoção do processo seletivo aberto acontece poucos dias após a diretoria da KFA decidir, em reunião realizada na última semana, que o próximo comandante da equipe seria escolhido conforme as normas de contratação pública previstas pelo Comitê Olímpico e Esportivo da Coreia.
A medida ganhou força principalmente após a repercussão negativa envolvendo a saída de Hong Myung-bo. O treinador deixou o cargo depois da eliminação da Coreia do Sul ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, desempenho considerado abaixo das expectativas para uma das principais seleções asiáticas.
Além dos resultados em campo, a própria federação passou a ser alvo de críticas por parte de torcedores, imprensa e integrantes da comunidade esportiva, que questionaram a falta de transparência nos critérios utilizados para nomear o antigo comandante da equipe nacional.
Ao anunciar o novo modelo, a KFA reconheceu que a iniciativa desperta opiniões divergentes dentro do futebol sul-coreano. Em nota oficial, a entidade afirmou que a comunidade esportiva demonstrou tanto apoio quanto preocupação em relação ao formato adotado e garantiu que acompanhará atentamente os resultados da experiência.
Segundo a associação, os pontos positivos e negativos identificados durante o processo serão avaliados cuidadosamente para aperfeiçoar futuras seleções de profissionais responsáveis pelas equipes nacionais. A expectativa é que a iniciativa fortaleça a credibilidade institucional da federação e estabeleça um modelo mais transparente para futuras contratações.
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