Plataforma iQIYI. Foto: Divulgação
A iQIYI anunciou uma mudança estrutural em seu modelo de negócios ao adotar inteligência artificial na produção de conteúdo. A estratégia foi apresentada na conferência mundial da empresa, realizada em Pequim nos dias 20 e 21 de abril de 2026. O plano prevê reduzir custos, ampliar a base de criadores e migrar para um ecossistema descentralizado, com participação direta dos usuários.
O anúncio foi feito pelo fundador e presidente-executivo, Gong Yu. Ele afirmou que a atual onda de inteligência artificial altera o centro da indústria audiovisual. Segundo o executivo, a tecnologia não muda apenas a distribuição, como ocorreu no passado, mas interfere diretamente no conteúdo.
No centro da estratégia está a plataforma Nadou Pro. O sistema reúne cerca de 70 agentes de IA (programas autônomos) para executar tarefas como roteiro, direção, design visual e edição. A proposta é permitir que um único criador produza obras completas, ou que equipes trabalhem em conjunto com máquinas no mesmo fluxo de trabalho.
A empresa aposta no surgimento de “estúdios individuais”, formados por um único profissional apoiado por IA. Esse modelo tende a ampliar a oferta de conteúdo e reduzir o tempo de produção. A expectativa é lançar um filme de grande porte gerado com apoio de inteligência artificial ainda em 2026.
A plataforma terá dois formatos de uso. Um deles permite que uma pessoa controle todo o processo criativo. O outro combina trabalho humano e automação em equipes. Mais de 100 artistas já aderiram ao sistema, segundo a companhia.
A expansão internacional da iQIYI também faz parte do plano. A versão em inglês da plataforma deve ser lançada em maio. O português aparece como um dos próximos idiomas previstos, seguido por versões multilíngues. A empresa pretende integrar modelos de IA desenvolvidos na China com soluções voltadas ao mercado global.
Além do Nadou Pro, a iQIYI apresentou novas ferramentas. A ChiJing AI permitirá que usuários modifiquem roteiros. Já o Taodou World funcionará como um ambiente de interação com personagens digitais.
As iniciativas indicam uma tentativa de ampliar o valor de propriedades intelectuais (marcas e conteúdos) da empresa. O objetivo é criar um ciclo completo, da criação à monetização, dentro de um ambiente digital integrado.
A mudança ocorre em meio à competição crescente no setor de streaming. Empresas buscam reduzir custos e aumentar a produção. A aposta em inteligência artificial surge como alternativa para atender a essa demanda.
O movimento da iQIYI acompanha uma tendência global. Plataformas digitais investem em ferramentas que aproximam usuários da produção de conteúdo. A diferença, segundo executivos da empresa, está na escala e na integração das soluções.
A estratégia reforça o papel da tecnologia como eixo da indústria audiovisual. Resta saber como o público reagirá a conteúdos produzidos com forte participação de máquinas.
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