Técnico Hong Myung-Bo (Foto/Divulgação/Alex Slitz/Getty Images)
A eliminação da Coreia do Sul ainda provoca consequências profundas para Hong Myung-bo. Dias após deixar o comando da seleção nacional, o treinador decidiu sair do país em meio a um cenário de forte hostilidade, marcado por protestos, ameaças de morte e intensa cobrança por parte da torcida. Segundo informações divulgadas pela imprensa sul-coreana, o ex-comandante embarcou para Los Angeles, nos Estados Unidos, apenas dois dias após o retorno da delegação que disputou a Copa do Mundo de 2026.
A saída aconteceu de maneira discreta. No aeroporto, Hong evitou contato com jornalistas e recusou entrevistas. Já ao desembarcar em solo norte-americano, o ex-técnico tomou medidas extras para preservar sua privacidade, pagando uma taxa adicional para deixar o terminal por uma saída alternativa, longe da imprensa e da movimentação de curiosos. A decisão evidencia o momento delicado vivido por um dos maiores nomes da história do futebol sul-coreano.
A insatisfação dos torcedores com Hong Myung-bo deixou de se limitar às críticas na internet e ganhou espaço nas ruas. De acordo com veículos locais, comerciantes passaram a exibir cartazes informando que o treinador não era bem-vindo em seus estabelecimentos, refletindo o desgaste da imagem do ex-jogador, que durante décadas foi tratado como um dos maiores ídolos do futebol nacional.
O retorno da seleção também foi cercado por manifestações. Torcedores se reuniram para protestar contra a campanha da equipe e direcionaram as principais críticas ao então treinador. O ambiente se tornou ainda mais preocupante após relatos de ameaças de morte recebidas por Hong, situação que levou as autoridades sul-coreanas a reforçarem sua segurança.
Mesmo com o aumento da proteção, o treinador optou por deixar temporariamente o país. A viagem aos Estados Unidos foi interpretada pela imprensa local como uma tentativa de se afastar da pressão e reduzir os riscos diante da escalada das manifestações.
A reação dos torcedores surpreendeu pela intensidade, principalmente porque Hong Myung-bo construiu uma trajetória histórica com a camisa da seleção. Capitão da equipe que alcançou as semifinais da Copa do Mundo de 2002, ele sempre ocupou posição de destaque na história do futebol sul-coreano. Entretanto, o desempenho abaixo das expectativas na edição de 2026 alterou drasticamente a percepção de parte da torcida.
A Coreia do Sul iniciou sua participação no Mundial com vitória sobre a República Tcheca, resultado que alimentou expectativas de classificação. No entanto, a equipe sofreu derrotas consecutivas para México e África do Sul, encerrando a fase de grupos com apenas três pontos.
A combinação de resultados colocou os sul-coreanos entre os quatro piores terceiros colocados da competição, encerrando de forma precoce a participação no torneio. A eliminação foi considerada uma das maiores decepções da campanha asiática na Copa do Mundo, especialmente pela expectativa criada em torno do elenco.
Poucas horas após a confirmação da queda, Hong Myung-bo anunciou sua saída do comando técnico da seleção, assumindo a responsabilidade pelos resultados. A renúncia, entretanto, não foi suficiente para diminuir a revolta dos torcedores, que continuaram direcionando críticas ao treinador.
A repercussão negativa também alcançou o cenário político. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, fez duras declarações ao comentar o momento vivido pelo futebol do país. Sem citar apenas o desempenho esportivo, ele afirmou que escolhas equivocadas para cargos de liderança produzem consequências previsíveis.
“Se selecionarmos pessoas incompetentes para cargos de liderança, priorizando o partidarismo em detrimento da capacidade jurídica, o resultado será óbvio como a luz do dia”, declarou o presidente.
Enquanto a federação sul-coreana inicia o processo para definir um novo treinador, Hong Myung-bo permanece afastado dos holofotes nos Estados Unidos. O futuro profissional do ex-comandante ainda é incerto, mas a passagem pela seleção termina marcada por uma eliminação inesperada, críticas contundentes e um cenário de pressão que extrapolou o futebol, afetando diretamente sua rotina e sua segurança.
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