A poucos dias de um dos jogos mais importantes da fase de grupos da Copa do Mundo, a seleção da Coreia do Sul enfrenta uma turbulência fora das quatro linhas. O relacionamento entre a equipe nacional e os profissionais da imprensa sul-coreana sofreu um forte abalo após a divulgação de conversas privadas contendo críticas ao capitão Son Heung-min, principal referência técnica dos Tigres Asiáticos.
O episódio gerou indignação entre jogadores, dirigentes e torcedores, levando a Federação Coreana de Futebol (KFA) a restringir o contato da equipe com os meios de comunicação. Entrevistas coletivas foram canceladas, o acesso aos atletas passou a ser limitado e o foco da delegação voltou-se exclusivamente para a preparação do confronto diante do México, que pode encaminhar a classificação de uma das seleções às oitavas de final.
Comentários sobre Son geram repercussão e revolta
A polêmica teve origem em um vídeo divulgado pela emissora JTBC em 9 de junho, mostrando um treinamento aberto da seleção sul-coreana em Guadalajara. Durante a gravação, um áudio captado acidentalmente registrou uma conversa entre pessoas presentes no local.
Ao observarem Son Heung-min treinando, alguns indivíduos fizeram comentários irônicos relacionados ao período de serviço militar do atacante. Um deles afirmou que o jogador corria “como um comandante de pelotão”, enquanto outro acrescentou que ele “parecia estar no exército”. Em seguida, as observações teriam evoluído para declarações mais agressivas direcionadas ao camisa 7.
O conteúdo rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e provocou uma onda de críticas por parte dos torcedores. Muitos internautas passaram a suspeitar que os autores das falas fossem jornalistas que acompanhavam a delegação sul-coreana no México. Diante da repercussão, a JTBC negou qualquer envolvimento de seus profissionais no caso.
As críticas também reacenderam um tema delicado na Coreia do Sul. No país, todos os homens entre 18 e 28 anos devem cumprir serviço militar obrigatório por um período que varia entre 18 e 21 meses. Son, entretanto, recebeu uma exceção concedida pelo governo após conquistas esportivas de destaque representando a nação. Em 2020, ele realizou apenas três semanas de treinamento militar básico, benefício permitido pela legislação local para atletas que alcançam resultados expressivos em competições internacionais.
Federação reage e restringe atividades com a mídia
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o vazamento das mensagens provocou reuniões emergenciais dentro da delegação sul-coreana. O ambiente, que era considerado positivo após a estreia vitoriosa na Copa do Mundo, passou a ser marcado por desconforto e preocupação.
A Associação Coreana de Futebol chegou a divulgar um comunicado oficial lamentando a exposição das conversas e cobrando responsabilidade dos envolvidos. Posteriormente, o texto foi retirado de circulação, mas o posicionamento da entidade demonstrou a gravidade com que o episódio foi tratado internamente.
Em nota enviada à imprensa, a KFA afirmou que os jogadores ficaram “extremamente chocados e decepcionados” ao descobrirem a divulgação pública das declarações. A entidade ressaltou que o grupo estava concentrado em representar o país da melhor maneira possível durante o Mundial.
Além disso, diversas atividades de comunicação sofreram alterações. As entrevistas com atletas foram reduzidas, os horários das coletivas passaram por mudanças e o controle sobre gravações nos centros de treinamento tornou-se mais rígido. A imprensa mexicana chegou a comparar a situação a um “drama coreano”, destacando a intensidade do conflito em pleno torneio.
Foco volta-se para confronto decisivo
Apesar da crise extracampo, a seleção sul-coreana tenta manter a concentração na disputa esportiva. Na primeira rodada, a equipe venceu a República Tcheca por 2 a 1 e iniciou sua campanha de maneira convincente. O resultado colocou os asiáticos na liderança do Grupo A ao lado do México, ambos com três pontos.
O duelo entre sul-coreanos e mexicanos está marcado para quinta-feira, em Guadalajara, e é considerado decisivo para as pretensões das duas seleções. Uma vitória deixará o vencedor em situação muito confortável na luta por uma vaga na próxima fase da competição.
Enquanto dirigentes trabalham para reconstruir a relação com os veículos de comunicação, os jogadores buscam evitar que a polêmica interfira no desempenho dentro de campo. Novas reuniões entre representantes da federação e membros da imprensa devem ocorrer nos próximos dias, na tentativa de reduzir as tensões e restabelecer o diálogo.
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Até lá, a estratégia adotada pela Coreia do Sul é clara: manter distância dos holofotes e concentrar todas as energias em um confronto que pode definir os rumos da equipe na Copa do Mundo.
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