Em 2025, o Stray Kids soube o que foi dominar o mundo com grandes feitos: o octeto teve três EPs lançados, um álbum completo que quebrou recordes de vendas, prêmios de relevância na indústria, como o Daesang de Álbum do Ano no MAMA Awards e a turnê mundial que foi um sucesso comercial massivo, a “DominATE World Tour”. O grupo arrecadou cerca de US$ 185,9 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) e vendeu mais de 1,3 milhão de ingressos em 31 shows realizados na América do Norte, América Latina, Europa e Ásia.
A turnê consolidou o nome do grupo entre os maiores atos da indústria sul-coreana contemporânea. Em fevereiro de 2026, em parceria com a Live Nation Studios, foi lançado o filme-concerto “Stray Kids: The dominATE Experience”. Nele, vemos a apresentação completa do grupo no SoFi Stadium nos EUA, além de bastidores e relatos dos integrantes. Para fãs de longa data, como esta que vos escreve, – ou quem chegou agora também, os 145 minutos de duração não apenas celebram o espetáculo, mas revelam a humanidade por trás da grandiosidade. (E valeu a pena cada centavo.)

Stray Kids transforma a sala de cinema em um verdadeiro palco
O espetáculo se inicia com músicas do álbum que dá o nome da turnê, “ATE”, lançado em 2024 e que é, de longe, o meu favorito da discografia deles. Contando com “MOUNTAINS”, “JJAM” e o grande hit “Chk Chk Boom”, que foi impossível não cantar e dançar junto na sala de cinema. A apresentação também contou com canções de álbuns posteriores, mas que não deixam de ser atemporais: “Thunderous”, “District 9”, “Back Door”, “DOMINO” e “God’s Menu” – e o icônico ‘Ne Sonim’ do Hyunjin.
Depois da sequência eletrizante, o filme desacelera e assume um tom mais intimista. As luzes intensas dão lugar a bastidores e relatos pessoais, revelando não os idols inabaláveis do palco, mas jovens que enfrentaram dúvidas, inseguranças e momentos difíceis ao longo da caminhada.
Felix compartilha sua decisão de deixar a Austrália para seguir o sonho de ser idol — mesmo sem dominar completamente o coreano na época. Ele relembra um período em que questionava sua própria identidade e se estava fazendo a escolha certa. A virada, segundo ele, veio quando entendeu que, para ser apoio e luz para os outros, precisava primeiro cuidar de si mesmo. Conhecido como o “raio de sol” do grupo, Felix reafirma o desejo de ser conforto para os integrantes e para as STAYs em meio às próprias sombras.

Han também revisita sua trajetória. Integrante do 3RACHA — subunidade responsável por grande parte da produção musical do grupo e também um dos rappers principais — ele comenta sobre o conflito que viveu ao tentar separar o “Han do Stray Kids” de Han Jisung como indivíduo. A dificuldade em conciliar persona e identidade pessoal o levou a enfrentar questões como ansiedade, crises de pânico e fobia social. No entanto, o amadurecimento trouxe uma nova perspectiva: abandonar o perfeccionismo extremo, aceitar falhas como parte do processo e simplesmente aproveitar o momento. Hoje, ele afirma que ser ele mesmo é o que mais lhe traz felicidade.
As confissões emocionantes fazem com que “Truman” — interpretada por Felix e Han — ganhe um novo significado. A faixa, marcada por sintetizadores e batidas de trap/hip-hop, deixa de soar apenas como uma celebração de conquistas e passa a funcionar como uma narrativa de superação pessoal.
Segundo bloco de apresentações agita STAYs mostrando a versatilidade das duplas
Em seguida temos “Burnin’ Tires”, apresentada por Changbin e I.N em uma performance vibrante e cheia de carisma. Em seguida, o maknae compartilha suas próprias reflexões, tendo debutado aos 17 anos, I.N cresceu sob os holofotes e ao lado dos outros sete integrantes. Ele comenta sobre a constante busca por evolução e a sensação coletiva de nunca se acharem “bons o suficiente”. Em um dos momentos mais emocionantes, expressa a incerteza sobre o futuro — se o grupo existirá para sempre, se as STAYs continuarão ao lado deles — mas reforça o desejo de prolongar ao máximo essa jornada, acumulando memórias enquanto for possível.

A sequência de duplas reforça o contraste que só o Stray Kids sabe construir tão bem. Bang Chan e Hyunjin assumem o palco com a intensidade magnética de “Escape” — a já conhecida dupla de “Red Lights” entrega uma performance ousada, carregada de tensão e presença cênica que arranca suspiros da plateia. Logo depois, a euforia dá lugar à emoção com “Cinema”, interpretada por Lee Know e Seungmin. A canção, delicada e sentimental, destaca a potência vocal da dupla e cria um dos momentos mais sensíveis do filme.
Nos bastidores, Lee Know compartilha seu entusiasmo com a turnê mundial e a oportunidade de encontrar fãs ao redor do mundo. Ex-dançarino de apoio do BTS antes de integrar o grupo, ele comenta que grandes multidões não o intimidam — pelo contrário, o motivam a entregar sempre o melhor. Com naturalidade, afirma não se enxergar como “famoso”, mas como a mesma pessoa de sempre, e ressalta a admiração que sente pelos colegas, especialmente pela dedicação constante à composição e criação. A intimidade entre os oito, segundo ele, já é tão profunda que muitas vezes basta um olhar para que se entendam.
O ritmo acelera novamente com “GIANT”, “Walkin’ On Water” e “S-Class”, acompanhadas de coreografias marcantes e momentos de breakdance que elevam ainda mais a energia do espetáculo. É nesse embalo que surge o relato de Changbin. Conhecido pela postura intensa e pela força no rap, ele fala sobre a responsabilidade de integrar o grupo e como isso o impulsiona a ser mais disciplinado e comprometido. Apesar da imagem poderosa que transmite no palco, reforça que sua essência permanece a mesma — e que a força que encontra nas pessoas ao seu redor é, para ele, o verdadeiro poder da música.
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A atmosfera muda novamente com “Lonely St.” e “Cover Me”, músicas que aprofundam a conexão emocional entre o grupo e público. A última destaca especialmente o vocal de Seungmin, considerado um dos mais sólidos da quarta geração do K-pop. Em seu relato, ele comenta sobre a pressão natural de se apresentar para plateias cada vez maiores, mas explica que disciplina é sua principal aliada: aulas de violão, preparação vocal constante e rotina de sono regrada fazem parte do compromisso que assume com o palco. Para ele, ouvir o público cantar junto é a materialização de um sonho.

Momentos finais do filme que deixaram a dominATE Experience com gostinho de quero mais
A intensidade retorna em seguida com a versão rock de “LALALA” e “Maniac”, além de “TOPLINE” e “Social Path”, esta última um verdadeiro hino sobre inseguranças e amadurecimento na juventude. Hyunjin então assume o foco dos bastidores. Conhecido por sua expressão artística — seja na dança ou na pintura —, ele fala sobre a arte como forma de externalizar sentimentos que permanecem muitas vezes escondidos.
Em um dos relatos mais introspectivos, Hyunjin admite que todos carregam mágoas e inseguranças, mas que o mundo parece exigir que isso seja ocultado. Ele revela o receio de expor suas fragilidades ao público e de ser reduzido a elas. Nunca buscou a fama pela fama, mas sim a possibilidade de viver e compartilhar momentos com os fãs. Ao longo do tempo, encontrou forças ao perceber que não estava sozinho em suas angústias — e que sua arte poderia servir de apoio para outros que sentem o mesmo. Ao final, deixa uma reflexão simples e sincera: deseja aproveitar a vida enquanto pode, porque no fim, são as memórias boas que permanecem.

Em seguida, o grupo desce para mais perto do público com “I Like It”, “BLIND SPOT”, a nostálgica “My Pace” e “SUPER BOARD”, reforçando a atmosfera de celebração. O ponto mais emocionante, porém, chega quando “Stray Kids” começa a tocar. As lanternas acesas no SoFi Stadium transformam o estádio em um verdadeiro mar de luzes, formando um coral espontâneo que ecoa a trajetória de superação dos oito integrantes. É um daqueles momentos em que espetáculo e significado se encontram.
Antes do encerramento, o filme reserva espaço para o relato do líder, Bang Chan. O australiano fala sobre o peso de estar à frente de um dos maiores grupos de K-pop da atualidade e admite que, por muito tempo, guardava as pressões para si até que elas transbordassem. Com carinho evidente, descreve os membros como família e reforça o desejo de ser um líder confiável — alguém em quem todos possam se apoiar.
Chan também amplia essa responsabilidade para além do grupo: não quer ser apenas o líder do Stray Kids, mas alguém em quem as STAYs possam se ver e se sentir acolhidas. Ele agradece por tantas pessoas encontrarem significado nas músicas e por transformarem cada conquista em algo coletivo. Ao final, deixa claro que, apesar dos desafios, está genuinamente feliz e curioso para descobrir até onde essa jornada pode levá-los.

O espetáculo se encaminha para o fim com a icônica “MIROH” e a versão festival de “Chk Chk Boom”, encerrando a experiência em alta voltagem. A The dominATE Experience faz o público sorrir, se emocionar, cantar em um idioma que nem sempre domina — e, no dia seguinte, acordar rouco, mas satisfeito por viver um momento único.
Mais do que registrar uma turnê histórica, o filme captura um momento de consolidação artística e pessoal do grupo. Ao sair da sessão, fica a sensação de ter testemunhado não apenas um show, mas um capítulo importante da história do Stray Kids — e a certeza de que, em 2026, eles voltarão a dominar a cena mais uma vez.
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